terça-feira, 3 de maio de 2011

Um novo olhar sobre o sertão

O Semiárido é um território natural que historicamente se tornou político, palco que foi, e é, de embates pelo poder. As disputas e as escolhas políticas forjaram a ideia que este é um espaço de exclusão e pobreza, onde não valia a pena ficar ou investir. Isto abalou negativamente a autoestima do povo do Sertão, manteve constante o fluxo migratório de fuga e as práticas diversificadas de paternalismo e clientelismo, que mantinham seu povo dependente. Esse cenário parecia fadado a se reproduzir infinitamente, alimentado que foi por decisões políticas locais e nacionais que destinavam mais recursos às regiões que supostamente possuíam mais condições para o crescimento.

Contudo, essa tendência começou a se modificar nos últimos anos na medida que novos investimentos foram destinados ao interior do país, com iniciativas como a expansão do ensino técnico e universitário e a promoção de obras estruturantes. Além disso, o fortalecimento do mercado interno em todo o Brasil, bem como a maior estabilidade econômica, permitiu o surgimento ou reorganização de atividades relacionadas com comércio, serviço, turismo, agronegócio e indústria no Semiárido. Inclui-se nesse novo cenário a constituição de polos de produção de conhecimento ligados a centros de pesquisa e às Instituições de Ensino Superior públicas e privadas que também se instalaram pela região.

Em consolidação
Surge assim uma nova tendência que vem se consolidando nos últimos cinco anos: o Sertão começa a ser visto a partir de um novo prisma, e os investimentos começam a fluir para essa região, valorizando a sua cultura e suas riquezas naturais antes desprezadas, criando assim mais possibilidades para as pessoas que ali habitam. Mais que isto: o novo aporte de recursos públicos e privados começa a fomentar um novo fluxo migratório, agora de volta ao Sertão.

Diante desse novo olhar, questiona-se sobre a continuidade ou não desse processo. De fato, para que essas possibilidades abertas pelos investimentos da região resultem em um desenvolvimento sustentável, alguns pontos precisam ser considerados. O principal deles se refere à adequada preparação da população local para participar desse cenário, evitando que as atividades empreendidas sejam voltadas para a mão de obra que vem de fora. Para tanto o atual investimento em educação acadêmica e técnica deve ser ampliado. A infraestrutura das cidades ainda requer novos aportes para garantir a continuidade das atividades. E há necessidade de mais recursos para a questão da segurança.

Qualificação de gestores
Um ponto importante é a qualificação dos gestores e servidores públicos, que devem estar preparados para as novas demandas da sociedade. Falta também maior atenção à questão ambiental. O crescimento acelerado de uma região historicamente excluída pode levar a uma exacerbação do uso da natureza.

Riscos ao meio ambiente
Os riscos podem vir do uso inadequado do solo pelo agronegócio, desperdício da água (que continua escassa), exploração exagerada e sem controle de áreas de proteção ambiental pelo turismo, poluição do solo e da água pelos resíduos industriais e agrícolas, descontrole no ambiente urbano por parte da construção civil e das atividades econômicas em geral. Por fim, do ponto de vista social, apesar da visível redistribuição de renda e dos novos acessos à educação e saúde, ainda é necessário investir nos processos participativos, envolvendo efetivamente a sociedade local.

Suely Salgueiro Chacon

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Fortaleza completa 285 anos

Praia de Iracema - Foto: Aurenir Luz
Fortaleza, conhecida como Terra do Sol, comemora hoje 285 anos. É uma cidade de grande riqueza histórica, de muitas belezas naturais, com belas praias, como a de Iracema, Meireles e Mucuripe.

A praia de Iracema tem grande significado histórico para a cidade. Seu nome é título e personagem principal de um romance escrito pelo fortalezense José de Alencar. O romance mistura história e ficção; narra a saga de Iracema e Martim Soares Moreno. Moreno foi um dos primeiros portugueses a chegar à região de Fortaleza, que se tornou marido de Iracema.

Outro ponto histórico da cidade é a construção da Catedral Metropolitana de Fortaleza, que iniciou em 1939, e levou quase 40 anos para ser concluída. É uma igreja construída em estilo gótico-romano, abriga 5.000 pessoas, e é a terceira maior no Brasil.

quarta-feira, 23 de março de 2011

A natureza no Sertão

Cacimba de Cima, Apuiarés, Sertão Cearense
Foto: Aurenir Luz

Quando se pensa em sertão cearense, logo vem a mente uma região abandonada, seca e desprovida de beleza. Engano. Além de sua gente maravilhosa, de sua rica cultura, ele abriga uma infinidade de flores, animais, belas lagoas e, ao contrário do que se pensa, muito verde, principalmente, no período de janeiro  a maio.

domingo, 13 de março de 2011

Programa Acervo Aberto expõe a obra “Flora do Sertão”, da artista visual carioca Brígida Baltar

O programa Acervo Aberto, do Centro Cultural Banco do Nordeste, vai expor a obra intitulada “Flora do Sertão”, da artista visual carioca Brígida Baltar, no período de 15 de março a 17 de abril próximo, em Fortaleza. Com entrada franca, o Acervo Aberto exibe ao público obras pertencentes ao acervo artístico do Banco do Nordeste.

Brígida Baltar conheceu o sertão nordestino em janeiro de 2008, quando participou do projeto Sertão Contemporâneo, convidada pelo curador Marcelo Campos. Inicialmente os dois chegaram a Juazeiro do Norte, no Ceará, e de lá foram até a cidade de Exu, sertão de Pernambuco. Nessa travessia escreveram, fotografaram, fizeram vídeos e desenhos.

A partir dos tijolos encontrados nas olarias populares, Brígida Baltar fez sua obra “Flora do Sertão”, onde desenhou as plantas da aridez com o pó de tijolo e armazenou a terra da região em caixas de madeira. Nas caixas, os nomes surgem carimbados: Lagoa Seca, Brejo Santo, Vale do Cariri, Serra Talhada e Serra do Araripe.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Aurenir Luz: A Nova Cara do Sertão


A mais nova cara do sertão traz o olhar poético de quem nasceu no semiárido, cresceu cercada de estórias e personagens da cultura de sua gente, e após alçar vôos por outras margens decidiu trabalhar com juventude rural.

“Meu sertão enverdecido
Pelas chuvas de abril.
Tua cor esperançosa
Enche-nos de alegrias mil.”

Trecho da poesia Sertão, autora Aurenir Sales Luz

Escrevendo, é assim que Aurenir eterniza as influências que recebeu desde a sua infância, nos movimentos comunitários que participou e no contato direto com sua terra.  Aurenir nasceu na localidade rural de Boa Esperança, Paramoti, CE - filha dos agricultores Aureliano Luz e Aurea Sales, tem apenas uma irmã mais velha, Elenilza. Na infância, a família mudava-se constantemente de lugar, isso por que nos períodos de estiagem, o pai de Aurenir deixava a agricultura e passava a ser vaqueiro de fazendas de gado para que as filhas tivessem leite para se alimentar(...)  Assim começa a história da jovem que saiu do campo para estudar na capital mas que não perdeu o vínculo com o seu lugar de  origem. Graduada em Marketing, autora de um livro de poesias e de crônicas publicadas em seu blog, a jovem ainda encontra tempo para coordenar uma ONG no município onde nasceu e, atualmente, Aurenir é gerente de projetos de jovens da Adel.

Confira a história de Aurenir Luz no site da campanha http://www.adel.org.br/novacara.html

sábado, 5 de março de 2011

III Fórum Brasileiro do Semiárido


A Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) está promovendo, no período de 18 a 21 de maio 2011, o III Fórum Brasileiro do Semiárido, traz como tema “Educação contextualizada: natureza, técnicas, cidadania e diversidade cultural”, oferecendo espaços para mesas-redondas e grupos de trabalhos e apresentações individuais em diversos eixos temáticos.

Foto: Arquivo do CEPFS
Os eixos temáticos consistem em traduzir os trabalhos de ensino, pesquisa e extensão que alinham-se nas diversas áreas do conhecimento e que tratam do semiárido. Dentre os eixos temáticos priorizados destacam: Paradigmas de abordagens do semiárido; Educação contextualizada para o semiárido; Convivência sustentável com semiárido; e Cenários e vivências: uma incursão no semiárido. 

O evento se apresenta como espaço estratégico para troca de experiências e saberes entre acadêmicos, educadores e técnicos que atuam na área do semiárido, principalmente discutindo e produzindo estratégias de convivência com o Semiárido. 

Para cada sub-eixo, haverá uma publicação especial em forma de livro, compondo os melhores trabalhos selecionados por uma comissão científica. Os trabalhos deverão ser enviados aos endereços dos coordenadores de cada sub-eixo, que pode ser encontrado no site do evento: http://www.uvanet.br/forum_semiarido/inicial.php.

terça-feira, 1 de março de 2011

Chuvas renovam o Semiárido

Foto: Antonio Vicelmo
O verde da paisagem no interior, após as primeiras chuvas da estação, mostra o poder de mudança na Caatinga

A Caatinga, que em linguagem indígena, significa mata branca, é um bioma único, típico do Semiárido, que cobre o sertão nordestino. Nesta época do ano, quando ocorrem boas chuvas, o tom cinza das matas, transforma-se em um verde vivo e viscoso. A natureza se renova e a vida torna-se mais alegre no campo, com o crescimento das lavouras tradicionais de feijão, milho, arroz, macaxeira e abóbora.

Quando chega o período do inverno, as chuvas da madrugada deixam as manhãs frias, os córregos ficam cheios, a água escorre, os pequenos açudes sangram. O entardecer torna-se mais alegre, com o cheiro de terra molhada se espalhando pelo campo e misturando-se ao aroma das flores nativas. A natureza se renova, no ciclo permanente, a cada ano.

Os cactos e mandacarus parecem ganhar menos destaque com o verde de outras plantas nativas ocupando a Caatinga. As terras preparadas para o plantio se sobressaem com o tom marrom, revirado, e cultivado, até que a lavoura encubra o solo. Em dias de chuva e nublado, o sertão se transforma mais ainda, fazendo com que a sua gente esqueça os intermináveis meses de secura, intenso calor e, ainda, aridez.

Texto publicado no site do Jornal Diario do Nordeste em http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=939264